terça-feira, 21 de novembro de 2023

Quer ganhar dinheiro fácil?

Se você não procura dinheiro fácil, não leia este texto - (veja o texto em vídeo, logo abaixo)

Você quer ganhar dinheiro fácil? Muita gente procura  formas de ganhar dinheiro fácil.

É que a vida anda difícil pra quase todo mundo. Principalmente pra quem não tem dinheiro ou não ganha o suficiente para cobrir o que gasta.

Aí você vê uma proposta tentadora numa propaganda, num anúncio, numa postagem de uma rede social, lhe oferecendo a oportunidade de ganhar dinheiro fácil. É tudo o que todo mundo gostaria de achar: a galinha dos ovos de ouro!

Você rola o aplicativo do Facebook, do Instagram de uma outra rede social ou abre o Youtube e está lá: um sujeito com “cara” de “um cara” comum, na frente de uma mansão com piscina, ou encostado num carrão milionário, botando banca de rico. Ou melhor, fazendo pose de pobre que ficou rico.

E vocÊeee, acreditando que ele fala a verdade, ou pagando pra ver, continua assistindo um rosário de coisas bacanas que o sujeito conta. A história de um miserável que ficou milionário e que quer que você também saia da pobreza.

Resumindo: ele tem uma receita, ele quer te mostrar o pulo do gato pra você ficar milionário igual a ele. Olha só como ele é bonzinho!

E você acredita. E vai até o final do vídeo. Aí você clica no link que ele manda. Em seguida você compra o grande segredo que ele se compromete a passar pra você. Mas, por que será que ele não continua ganhando dinheiro em segredo, só ele. Não! Voce prefere acreditar que ele quer dividir o sucesso dele com você! Afinal, ele é é um abençoado, filho de Deus, bom samaritano...

Mas, será que, ao contrário disso, ele não seria o próprio cramulhão, tinhoso, lúcifer, canhoto, cão-tinhoso, chifrudo, demônio, capeta, assistente do diabo?

É que, vestido de ovelha, o cara que promete mundos e fundos, almoço de graça, pode não ser uma ovelha, mas o próprio lobo.

Já ouviu falar de almoço de graça? Não existe. Sempre tem uma cobrança que você não percebe ou só vê depois de ter almoçado.

Prosseguindo. Você acredita no conselho do dinheiro fácil, ou daqul servicinho pra  fazer na internet trabalhando só uma hora por dia para ganhar em dólares. Vai com tudo, investe no sonho e gasta aquele dinheirinho que estava guardado como reserva, porque você acredita em dias melhores. Afinal, é preciso ter esperança. É preciso investir em você mesmo! Não é?

Mas, para sua tristeza, em poucos dias você descobre que caiu num golpe. O cara lhe convenceu a comprar o conto do vigário, uma bobagem bem montada para lhe enganar.

O sujeito que tomou o seu dinheiro pode estar mesmo rico, tomando champanhe e comparando carrões à suas custas e de outros que caíram na mesma lábia. Sabe como? Não foi usando o projeto que ele lhe vendeu, mas dando golpes com uma mentira que pra você seria o caminho de ficar milionário.

Sabe por que ele conseguiu lhe enganar? Por dois motivos:

01 – Ele é um estelionatário, bandido que deveria estar preso.

02 – Você foi motivada pela ganância, pela aparência da possibilidade de ganhar dinheiro fácil. Porque deveria estar careca de saber que nada é tão simples e tão fácil.

A não ser que você não saiba mesmo que nada nesse mundo é de graça, a não ser o amor de Deus.

Você conhece o velho ditado, que afirma que:

Quando a esmola é demais até o santo desconfia!

Mas, eu sei que é difícil a gente parar para pensar quando se está necessitando de uma luz no fim do túnel. Principalmente quando estamos desempregados, com contas para pagar e filhos chorando de fome.

Eu já passei por situações assim. Já levei lambada, mas aprendi.

Aprendi que não se deve acreditar em promessas de dinheiro fácil. Simplesmente porque não existe fórmula de se ganhar dinheiro sem algum grau de dificuldade. Sem trabalho, sem uma ideia genial. Mas para se ter uma ideia genial é preciso trabalhar. A não ser que seja uma ideia para enganar os outros. Esse tipo é mais fácil, mas isso não é ideia genial, é demonial!

Se ganhar um prêmio de loteria é diferente. Mas isso é para os nascidos com a bunda pra lua. Não creio que seja seu caso, assim como não é o meu.

Há oportunidades em que ganhamos algo extra? Claro que sim! Mas quantas vezes na vida?

Não estou aqui falando das pessoas sortudas, se é que existe sorte e não destino. Estou falando de situações comuns, de pessoas comuns, como eu e você, igual aos outros mais de 8 bilhões de pessoas existentes no mundo. Tem ideia do que isso? É o número oito seguido de nove zeros (8.000.000.000). O que representa a população da cidade de São Paulo 667 vezes.

Por que as pessoas são levadas a cair em golpes? Estamos vivendo num imediatismo que nos deixa apreensivo pela por menor que seja a demora. A gente quer tudo para ontem.

Por isso, pessoas vão em busca de resolver seus problemas com soluções práticas e rápidas.

É nessa hora que caem nos golpes da coisa fácil. Do dinheiro muito fácil.

Mas aí, elas não vão encontrar a solução rápida de seus problemas, muito menos dinheiro fácil.

A natureza nos ensina que tudo tem um custo e que nada é simples e fácil. Para uma planta germinar é necessário que, primeiro, se tenha a semente. Depois, é preciso plantar esta semente. É necessário regar, porque pode não chover. É preciso paciência até que a nasça. Mas, para acontecer a germinação, a semente precisa morrer. Se a semente não morrer, não haverá germinação. Na selva, para um animal sobreviver, é necessário que outros lhe sirvam de alimento.  Para a alimentação do ser humano, animais são mortos. Lavoisier, o químico francês, provou que “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.

------ Há um ditado russo que diz: “O único lugar que se encontra queijo de graça é em uma ratoeira”. Mas não é verdade. Neste caso, o preço do queijo é a vida do rato. Assim, tudo tem seu preço e nada é de graça. Nem mesmo o ar que você respira é de graça.

Veja só, para respirar, seu pulmão tem que estar funcionando, e para que ele funcione todo o resto de seu organismo também tem que funcionar. E para que tudo isso funcione, seu corpo deve ser alimentado. Por fim, para se obter alimento, você pode produzi-lo ou comprá-lo. Para produzi-lo, tem que investir seu tempo e esforço (seu trabalho). Para comprá-lo, precisará do dinheiro.

----- Aí está o custo do ar que você respira, porque tudo tem um custo, nada é de graça.

Assim, repito, não existe dinheiro fácil. É preciso um projeto, um trabalho...

Pra terminar: também não existem bons samaritanos que distribuem receitas de riqueza fácil, porque o ser humano tem a tendência de não dividir riquezas com ninguém, a não ser com pessoas de sua convivência, e, assim mesmo, ele procura manter segredos dos grandes valores, por medo de que alguém lhe passe a perna.

Faça a seguinte pergunta a você mesmo(a): por que alguém que está ganhando milhões de dinheiro com algo na internet vai querer ensinar o caminho das pedras, ou seja, a receita de sucesso a você?

Pra você dividir espaços e lucros com ele? Claro que não!

Há! É como uma corrente, se eu ganhar ele também ganha. Bom, então isso é uma pirâmide. Vou falar disso antes de terminar...

Não existe nada neste mundo que não diminua quando a procura é grande, a não ser o amor de Deus.

Alguém que acha um poço de água no deserto vai ficar gritando para o deserto todo concorrer com a água dele? Uma pessoa que acha um pacote dinheiro, sem identificação de dono, grita na rua a fim de aparecer gente para dividir o achado?

A maioria dos anúncios de bons negócios não tem o alvo no sucesso do negócio anunciado, mas sim no número de pessoas interessada nele. Não vai dar certo o projeto da propaganda, mas o retorno de quem se interessar vai fazer a riqueza de quem anunciou.

Assim, os golpes mais simples tomam dinheiro com uma simples matrícula, passando pelo período de experiência falso e culminando com o velho golpe baseado no truque das pirâmides, onde os últimos, que são maioria, pagam o pato.

Muitas pessoas ainda acreditam que as pirâmides são uma saída para ganhar dinheiro.

Pirâmide não dá certo porque é, simplesmente, insustentável!

A Pirâmide precisa da constante entrada de pessoas para continuar rentável, porém esta entrada tende ao infinito, e uma hora ela acaba quebrando inevitavelmente, pois não haverá seres humanos suficientes no mundo para sustentá-la, e, quem estiver na base vai acabar levando o prejuízo.

Quer ver uma coisa: Vamos supor que seis amigos combinam começar um esquema de pirâmide, cada um convida 6 pessoas que lhe pagam 100 reais cada totalizando 3600 reais, eles dividem entre eles recebendo o montante de 600 reais cada um.

Os 36 devem convidar mais pessoas para poderem receber sua parte, e cada um consegue colocar mais 6 no esquema, o montante agora é de 21.600 reais, cada um dos 36 recebe 300 reais, e os 6 iniciais, recebem 1800 reais cada um. Até aqui, a pirâmide foi boa para todos não é? Mas agora vão ser necessárias 1296 pessoas para manter o esquema crescendo de maneira saudável, mas quais são as reais chances de ocorrer isso? Quase nulas, dificilmente uma pirâmide chega a ficar tão grande assim, o que geralmente ocorre neste momento é a fuga de quem já recebeu o dinheiro e o prejuízo de quem esta na base.

Pra terminar:

Ninguém anuncia que possui uma galinha que põe ovos de ouro.

O máximo que você terá é alguém lhe ensinado um curso por um preço mais barato, para lhe ensinar formas de buscar na internet um meio de ganhar dinheiro.

O que mais dá dinheiro é venda.

A maioria dos milagreiros da internet lhe propõem vender algum produto na internet. E o caminho de vendas é o que realmente funciona, se você quer trilhar os caminhos longe da pilantragem.

Venda, venda qualquer coisa. Calcinha, joias, sapato, serviço, bicicleta, carro, terreno, material de construção, roupa, conselho, amizade, minhocas, ideias, venda qualquer coisa... Se você for bom vendedor, boa vendedora, vai vender, sim. Se não for, vai se lascar, saber por que?

Por se meter em coisas que você não domina, porque vender não é para qualquer um que se aventura no ramo de uma hora pra outra. É preciso ter preparo. Muitas pessoas já nascem com facilidade de venda. Conheço pessoas que vendem até bosta seca. Mas tiveram dificuldades no início, mesmo com o dom para negociar.

Quer vender? Quer aprender como se vende? Estude, faça cursos, aprimore-se, mas não queira se aventurar em águas que você não conhece.

O cara que você viu no Face ou no Insta garantiu que você vai ganhar dinheiro fácil. Mentira dele! Ele, jamais, lhe ensinaria o caminho do dinheiro fácil, porque o dinheiro fácil pra ele, não está nos ensinamentos que ele lhe promete, mas sim do valor do curso ou palestra que você e outras vítimas pagam. Ou seja, você paga por uma coisa que nem existe, ou não passa de informações já comuns que são encontradas na internet de graça.

Muita gente acha que é verdade aquele anúncio para mudar de vida do dia pra noite. Acreditam tanto a ponto de pensar que “os outros” é que são bobos de não aproveitar.

Muitas vezes, cair nesses golpes é por puro desespero. A pessoa precisa tanto de dinheiro, que ela acredita nas coisas mais absurdas. Tem tanta coisa aparecendo a cada dia na internet, tantas novidades que ninguém tem certeza sobre o que é sério ou não.

Tem muita promessa que parece que a vida vai dar uma guinada num estalar de dedos, mas, não se esqueça: Dinheiro fácil não existe!

 

Pra encerrar. Antes de comprar qualquer coisa da internet, procure informações negativas e positivas. Não custa nada, acesse o site: Reclame Aqui.

Digite no Google, Reclame Aqui. Por este site eu já desisti de muitos negócios.

Em vários trechos eu me dirijo diretamente a você. É somente força de expressão. Em nenhum momento eu liguei a sua pessoa aos meus exemplos, a não ser como forma de explicar o pensamento. Caso alguma afirmação que fiz lhe diz respeito, ou nada tenha a ver com sua pessoa, simplesmente ignore. É apenas um texto. Qualquer semelhança terá sido mera coincidência.

Meus respeitos – um abraço.


Rádio Jornal – 45 anos

Fiz este texto para um vídeo - assista abaixo

Há 45 entrava no ar a Rádio jornal de Assis Chateaubriand, em AM, amplitude modulada. Era outubro de 1978. A primeira música a ir ao foia música ‘Amigo’, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. As primeiras palavras a ir ao ar, lidas pelo então locutor recém contratado, Clóvis de Almeida: “Rádio Jornal de Assis Chateaubriand, operando na frequência de 1.470 khz -  transmitindo em caráter experimental da cidade de Assis Chateaubriand – Paraná”.

Neste vídeo, o jornalista Clóvis de Almeida conta os detalhes do primeiro ano da emissora em AM, que deixou de existir há pouco tempo, dando lugar a uma emissora de FM.

Clóvis fala dos primeiros patrocinadores e dos primeiros comunicadores. “Todos que participavam do programa Satélite Show ganhavam meio quilo de café. Era uma loucura no telefone, que chegava a bloquear, de tanta ligação ao mesmo tempo”.

Muitos eventos marcaram a presença da rádio jornal com transmissões ao vivo, como nas festas das nações e no desfile anual de aniversário.

Clóvis conta também que a rádio noticiava o que de melhor acontecia. Infelizmente, as más notícias, como as do acidente que matou 25 jogadores de um time de futebol, o incêndio na Prefeitura e vários outros momentos negativos do município.

O jornalista também detalha fatos pitorescos da época, como a dos pilantras travestidos de radialista. “O sujeito vinha de longe, começava a trabalhar na rádio, ganhava a confiança do povo, depois, dos comerciantes, e aí dava o golpe. Comprava tudo o que podia e sumia no mundo. E isso durou por vários anos, por mais que a direção da rádio avisasse que não se responsabilizava por dividas de funcionários. De vez em quando uma loja levava prejuízo e procurava a rádio para ser ressarcida”, conta Clóvis.

Tem ainda aquela famosa história do narrador que, depois de ver que havia gritado gol que não houve, ele disparou: “Disgooooooooooool!

Ao finalizar, Clóvis de Almeida explica que a crônica em vídeo é um relato do período inicial, de outubro de 1978, a outubro de 1979. Os nomes citados são os que registrou na memória, nas dezenas de artigos e em reportagens impressas de jornais e revistas, que guarda em seu histórico.

“A história não tem dono. É sua, é minha, é nossa, é de todo mundo que tenha história e queira contar. Me ajude a contar histórias. Me ajude a divulgar meu canal no Youtube – compartilhe, dá um joinha, se inscreva no canal para ser informado do próximo vídeo” – Clóvis de Almeida – jornalista, novembro de 2023


Viagem no tempo – e na maioneze

 

Voltar no tempo, viagem no tempo, túnel do tempo e tantos outros títulos fazem sinfonias de respostas em filmes, séries, novelas e outros meios de se contar as histórias que povoam as mentes criativas ou simples cabeças curiosas na dúvida que remonta séculos. Afinal, é possível ou não voltar ao passado? E o futuro, será que nos é permitido ver ou visitar o amanhã? Quem sabe, dois ou três amanhãs? E que tal voltar uns 30 anos, mudar o caminho escolhido?

A maioria das mentes não gastam neurônios com esse tipo de ideia, e a razão é presumível: seus neurônios não estão preparados para conexões tão complexas, por isso, a linha de frente de recepção de mensagens, o que chamamos de volta no tempo é a virada da roda no giro do verso. Basta olhar o reflexo da curva que faz o convexo do côncavo circunviral trôpego, após o célebre, redondo e lúgobe bruxuleante galope da mula que não entende uma simples parábola.

Se essas mentes de sinapses lentas, ou seja, em slow motion, não conseguem acompanhar um raciocínio que exige uma complexidade maior que o compreender do por quê a vaca baba, fica difícil explanar uma ideia que fuja da explícita explicação que não passa de uma resposta banal e simplista: Se baba a vaca, é porque cuspir não sabe ela.

Não posso continuar o raciocínio sem antes abrir um parênteses para explicar o que faz da ideia de viagem no tempo uma possibilidade das fórmulas matemáticas apontarem se verdadeiro ou falso. O que dificultam os cálculos são a falta de números aleatórios que nem mesmo o mais adiantado cientista sabe montar. É porque a lógica se baseia nos princípios ativos de quanto pode isolar dois colchetes na fórmula. Todo mundo sabe que, antes de chegar nos colchetes é preciso resolver o que está dentro dos parênteses. Tudo aquilo que vai na chave faz parte da quarta ou quinta linha.

Assim, faz-se mister lembrar que os princípios ativos matemáticos ficaram muito conhecidos com a chegada dos genéricos, porque eles levam o próprio nome da molécula, como o Omeprazol, por exemplo. É nesse preciso momento que a água e os sais minerais são retirados da base de cálculo, próximo à raiz quadrada de 144, através das teias engendradas em flocos em forma de seiva, denominada seiva bruta.

Por meio de uma reação fotoquímica, é ocasionada a transformação da energia de um tipo em outra, que é conduzida pelos canais existentes em torno do que for predominante positivo ou negativo, dependendo do resultado que se obtém nas somas distribuídas pelas divisões que são multiplicadas pela diminuição das fases que sobem ou que descem.

O que se observa também é uma paralaxe, que nada mais é do que o deslocamento aparente de um objeto por conta da mudança do ponto de vista do observador. "Quando você tapa um dos olhos, tem a impressão de que o objeto está em um lugar diferente, mais à esquerda ou mais à direita. Isso acontece por causa da distância dos nossos olhos. E o que determina essa distância é o tamanho da base do nariz. Essa medida é chamada de paralaxe anual, com H, ou heliocêntrica, sem H e com J de relógio. Ela é mais usada para medir a distância de estrelas mais próximas.

Muito importante observar que, no entanto, o processo consome muita energia e os combustíveis fósseis comumente usados nisso ​​contribuem para o aquecimento global, e a salmoura tóxica que produz polui os ecossistemas costeiros.

Então, o melhor é proceder como eu já disse, lá no início: voltar no tempo, viagem no tempo, túnel do tempo e tantos outros títulos, é como observar a fatia de pão que escorrega de sua mão. Conforme a lei de Murphy, vai cair com a manteiga para baixo.

Resumindo, é melhor não passar manteiga, ou melhor, o bom mesmo é não comer pão.

Pra terminar, caso queira saber qual o ponto de ebulição que faz a passagem do tempo no relógio, é só multiplicar a resistência de um fio de cabelo. É o mesmo esforço que se faz para tirar um chiclete colado no chinelo. O cálculo é simples: ve na calculadora aí, quanto dá 5 x 9?

Trinta e oito? É isso, mais 2 do casco, dá 40. Pronto. A base é 40, mais 27 do cimento, temos então 57 quilos de envergadura na proeminência da curva cêntrica. Se pintar de azul, vai destacar o amarelo. Perfeito! Temos aí o valor da velocidade da viagem no tempo, mais conhecida como “um tour na maionese”.

Programa Satélite Show - há 45 anos

Há 45 anos eu estreava na Rádio Jornal de Assis Chateaubriand um programa dinâmico que teria um papel importante na emissora que estava nascendo. Era outubro de 1978.

— O som nasce aqui, e vai subindo, subindo, bate na camada de ozônio e desce, desce, até o seu rádio pra chegar no seu ouvido. Está no ar o Satélite Show!

Boa tarde! Boa tarde pra você de perto, boa tarde pra você de longe.

Boa tarde a mamãe, ao papai, às vovós e a vocês, crianças.

Que seja mesmo uma boa tarde, melhor que a de ontem, mas não melhor que a de manhã, porque cada dia é sempre um novo dia.

Está começando mais uma tarde de comunicação e sucesso. Nós e vocês, vocês e nós, juntos no ar, no até saliteshow.

Sonoplastia do programa é de...

Em seguida, eu dava a ficha técnica, sonoplasta, discotecário, gerente, diretor da rádio, operador de transmissor e até da senhora do cafezinho.

Não vou dizer nomes para não esquecer ninguém. Todos foram importantes no sucesso que fizemos durante muitos anos...

Naquela época, a gente usava muito eco na voz. Quando eu dizia: No ar, o satélite show, o operador, o sonoplasta abria o volume de retorno de um gravador de rolo que fazia eco. E aí ficava, show show show.

Tinha muito fundo musical, sempre com musica animada, que na época eram as discoteques que ditavam o ritmo das música que tocavam no rádio, na televisão e nas casas dançantes. Isso dava um ritmo muito legal. Era como uma pinga pra animar. Uma pilha, uma ligada em 220.

A gente podia até estar triste com alguma merda que a vida sempre nos reserva, mas chegava naquela hora, esquecia tudo... O fone de ouvido mel ligava no ouvinte. Isso fazia com que as participações por telefone me colocasse pertinho dele, ou dela. Era como se estivéssemos numa festa, todo mundo alegra alegre e feliz. Era como hoje no Facebook, onde todo mundo vive uma felicidade eterna, ninguém deve nada, não há conta pra pagar e ninguém é feio. Não havia Facebook nem Instagram, mas o rádio pintava um mundo colorido para espantar as tristezas de quem ouvia e de quem fazia o rádio.

A gente falava de tudo. Eu sempre cumprimentava o ouvinte na abertura do programa com uma alegria que nem sei de onde tirava. Só sei que era sincero, mesmo que estivesse triste.

Tenho um orgulho muito grande de ter usado uma nova maneira de atender o ouvinte ao vivo. Não sei se eu fui o primeiro, só sei que as rádios que a gente ouvia na época, inclusive as grandes rádios, atendia o ouvinte no telefone no ar, perguntando: Alô, quem fala? Eu achava aquilo ridículo, pois o locutor já sabia com ia falar, porque ele falava com o ouvinte antes, ou era informado por um atendente antes dele, que já tinha anotado nome, de onde falava e a música que o ouvinte ia pedir. Então, eu achava uma besteira, falsidade até, perguntar quem estava falando, já que eu sabia quem era. Normalmente eram as mesmas pessoas todos os dias, variava um pouco, mas quando eu atendi a ligação, reconhecia o ouvinte pela voz.

Eu mudei aquilo. Não perguntava quem era, como já estava combinado, eu ia direto: Agora eu vou falar com a minha ouvinte maria, lá do bairro x, alô maria, como vai sua tia! Plagiando o Chacrinha, eu sempre fazia uma rima. E eu não tinha que perguntar que música você quer ouvir, ou como dizem até hoje, qual é a música, sendo que o pedido já está pronto pra ligar play. Eu simplesmente dizia: a música vai pra quem? Quando o ouvinte dizia: ah, quero mudar a música que eu pedi. Eu dava o troco na hora: muda amanhã, que a de hoje já tá rodando. E soltava a música - Era só risada e nunca nenhum ouvinte brigou comigo por causa disso.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Estátua de São Francisco tira cocô do olho

Um sol de estalar mamonas e Francisco continuava em pé com os braços cruzados e as mão viradas para cima. Não sei se rogando preces ou olhando para cima tentando adivinhar quando vai chover.

Assim o vejo todos os dias. Mas, hoje, aconteceu o impossível: A estátua de São Francisco lá na praça se mexeu. Eu vi!
Foi quando um bem-te-vi, desses grandes, pousou-lhe na testa e fez um cocozão bem no olho direito. Bem na hora em que eu olhava pra Francisco. Ele olhou de cima, baixando um dos olhos e, pensando que não havia ninguém olhando, fez bico com a boca, mirou no pássaro e assoprou para espantar o bichinho, que voou com jeito de quem estava aliviado de um peso enorme.
Mas o cocozão ficou, tampando um olho do Santo.
Francisco continuou incomodado e, ainda achando que estava sozinho na praça, mexeu o braço direito e com a mão e limpou o serviço do passarinho, jogando no chão a meleca que lhe impedia de ver direito.
Olhei dos lados e não vi mais ninguém para que eu não pudesse mentir sozinho. Não havia outra testemunha. Só eu e Francisco sabemos que ele se mexeu para tirar um cocô de bem-te-vi. Até eu me mexeria se fosse uma estátua cagada.
Num rompante de surpresa e maravilhado com algo tão inusitado e impossível até aquele momento que só eu vi, gritei para a imagem:
— Ô Francisco! Eu vi tudo, mas só consegui fazer uma foto. Já pensou eu filmando isso? Você não faz de novo?
Foi quando ouvi uma voz:
— Falando sozinho, moço?
Era uma senhora que passeava com um urubu no ombro e um macaco amarrado numa cordinha.
De nada adiantaria contar a história pra uma maluca. Me virei e dei um passo para sair, quando ouvi a velha dizer:
— Viu que doido, Chiquinho? É cada um que me aparece...
Fui embora. Vai que o bem-te-vi me caga também...

Mapa pra lugar nenhum

Sempre carrego num bolso um mapa que não leva a lugar algum.

Já cansei de percorrer os caminhos que ele assinala, mas não me canso de insistir nos seus roteiros.

Embora eu saiba como termina cada destino, teimo em insistir, cada dia em uma rota, embora seja a mesma de outras vezes.
Repetir os caminhos não me fazem mais tolo, nem significa que sou teimoso. É apenas a única saída por não haver outra opção, a não ser os mesmos caminhos de sempre.
Já me disseram que a vida é assim mesmo. Eu não acredito, por isso tento me fazer crer que possa haver algo novo no depois de agora.
Talvez a novidade possa surgir na próxima esquina. Pensar nisso é o único remédio que encontrei para fugir da mesmice do ‘todo dia a mesma a coisa’.
É possível que, em alguma curva, exista alguém com um mapa que me leve a algum lugar que me faça melhor. Mas precisa ter destinos que eu nunca tenha ouvido falar, porque dos que já ouvi, todos são chatos e estão no meu mapa de bolso, incluindo o cemitério, o céu e o inferno.

Não sei

Não sei você, mas eu tenho um monte de perguntas.

Para cada uma delas, dois montes de não sei.

Em cada não sei, três não vi e para cada um desses, quatro sei lá.

De um lado ainda tem dezenas de talvez e, do outro, duzentos quem sabe?

No fundo, é só uma pergunta: por quê?

No raso, são mais duas: quando e onde?

Mas sempre levo de carona uns cinco Como?

Claro que não esqueço uns dois quais e uns cinco quem.

Tem quem se preocupa com quanto. Mas eu acho mais bonito um não sei, bem grande, por isso tenho dois montes.

Quem sabe, talvez, alguém tenha algo do mesmo tamanho para trocar. Pode ser um é possível. Esse anda em falta e no momento não tenho nenhum no estoque.

Só não me venha com sei lá, porque isso é o mesmo que não sei. Coisa que já tenho dois montes.

Essa eu já sabia

Sabe aquele jornal que nunca traz nada que você já não esteja sabendo? Assim também são aquelas pessoas que nunca lhe somam nada. Convivem com você, estão todo tempo ao seu lado, usam tudo o que você compartilha com elas, mas nunca retribuem. Ao contrário, quando abrem a boca é para dizer que nada sabem, espalhando no ambiente uma vastidão de nada. São os sugadores de energia que nos passam apenas a sensação de estarmos sozinhos, embora acompanhados.

Assim como o jornal que repete o que você já viu em outro lugar, as pessoas vazias são cheias repetições que nunca lhe fazem bem, mesmo que você não perceba. Os prejuízos são a perda de tempo e os aborrecimentos pelos minutos ou horas que lhe tomam com assuntos que em nada contribuem com o seu dia.

Todo mundo conhece alguém que, quando aparece, de longe já vem o pensamento: “era é só o que me faltava...”

E lá vem aquela pessoinha detestável desfilar um rosário de bla-bla-bla interminável. Elas parecem possuir um grude, uma cola, que gruda na gente, difícil de descolar. E lá vai a vassoura de ponta cabeça para trás da porta, mas nada da visita ir embora. Quando a abordagem é na rua, pior ainda. O relógio não anda, a hora não passa e a colegagem não dá sinal de falar tchau. E dê lhe histórias que você já conhece de cor e salteado, igual àquela porcaria de jornal que só publica coisas que você já viu na internet. Como diria a personagem de novela: Haja Deus!

Eu diria: Haja saco!

Mas, como tudo o que é ruim pode ser piorado, pior do que isso é se o chato (o chata) for você! Já pensou nisso?

Há pessoas que sabem que são chatas, porém, quando descobrem já não há mais como mudar. Alguns tipos de chatices não têm cura, por mais que se queira curar.

Nesses casos, só há uma saída: aceitar para doer menos. Assim, se esse for seu caso, aceite. E, como não dá para mudar, faça o contrário que é pra marcar território: tente o possível para ser cada vez mais chato. Já que nunca se lembram de você como uma pessoa legal, faça tudo para ser inesquecível como a chatice em pessoa. Talvez você ganhe o prêmio de chato (a) do ano!  Não seria legal?

Eu estou tentando, mas vou te contar: até pra chato é difícil ganhar alguma coisa.

Mas, lembre-se: mesmo ganhando um campeonato de chatice você nunca conseguirá ganhar da inutilidade daquele jornal que só publica o que você já sabia.

Será que é assim?

Passei sobre o passado passando como se fosse um só passo.

Apenas um passo é o que a vida nos parece no presente.

Presente que, como o passado, parecia que nunca passaria.

Como o vento de chuva que traz e leva as gotas embora, o hoje passa a ser ontem do mesmo modo que o dia se torna noite.

Dizem que o amanhã não existe, porque quando chega já é hoje.

Assim, aguardamos um dia que nunca vamos viver.

Não, não é um truque de palavras, mas uma dúvida que nem a mais sábia cigana pode enxergar na bola de cristal.


domingo, 4 de dezembro de 2022

Nada de nada

O nada não é nada

O nada nunca é nada

Por isso não sei de nada.

Não existe um pouco de nada

Não há um nada completo

Nada é cheio de nada

Nada é nada.

Nunca vi a cor do nada

Não senti o cheiro de nada

Nem nunca comi o nada.

Ainda não vi o nada

Porque nada sai do nada

Por isso não tenho nada

Acho que nada não existe.

Por isso não sei de nada.

 

Clóvis de Almeida

Ouvindo Raul

Eu sou a mosca que perturba o seu sono
Não a do Raul, mas a sua mosca.
Aquela da metamorfose
Não a ambulante, mas a que mora na sua consciência.
Eu sou a mosca que pousou na sua sopa.
Não a da canção.
Mas a da opinião que você pensa que tem sobre tudo.
Eu sou a mosca.
Ou não sou nenhuma,
porque você mata uma e ela se junta às outras, fantasmas
zumbizando seu juízo. Juízo mal feito que
você fez, opinião errada  formada  sobre tudo.
Sobre o que é a razão, sobre o que você nem sabe o que é.
Eu sou a mosca que perturba o seu sono.
Sou o zumbizar que você ouve quando o sono se vai.
Sou a nuvem escura que enegrece sua velha opinião.
Eu sou a mosca que confunde sua existência.
Sou a mosca da bola de cristal que você comprou de um camelô,
Vizinho do sábio faraó que repousa nos livros da estante, ao
Lado de Dom Quixote.
Sou a mosca, mas, se chamarem, diga que eu saí, sem
Saber se é hora de sair ou de chegar.
Tudo é tão estranho que não sei como explicar.
Eu sou a mosca, sou você.

Estou me rifando para casar

Sou um rapaz de bom caráter, bonito, garboso, com todas as perfeições físicas que podem agradar qualquer mulher. Porém, não tenho dinheiro para o casamento. Por isso, me ofereço da seguinte maneira: Vou fazer um sorteio da minha pessoa num concurso de rifa com 600 números, onde podem concorrer solteiras, donzelas e viúvas, com menos de 32 anos de idade. O preço de cada bilhete é de mil reais. A feliz ganhadora terá direito à minha pessoa e ao prêmio da rifa, sendo que, para receber o dinheiro terá que me desposar primeiro. Os bilhetes estão à venda na casa de loterias no centro da cidade.

O anúncio acima foi publicado no jornal “O Spectador Brasileiro”, do Rio de Janeiro, com data de 05 de julho de 1824, com o título original de “Casamento por uma rifa”.

Como não é assinado por ninguém e com um chapéu de editoria nominado “Micelâneas”, é bem provável que seja uma brincadeira, ou “pilhéria”, como se dizia na época, um assunto publicado como “calhau”, texto qualquer para tampar um buraco a fim de fechar a página do jornal, já que foi estampado no final da última coluna.

Mas, chama a atenção pela ideia original. Nos dias de hoje, provavelmente não daria certo. Mas há 200 anos, quem sabe? Os casamentos tinham por obrigação o tal do dote, pago pelo pai da noiva. Assim, muitas moças pobres ficavam sem se casar por falta de dinheiro. E, se eram pobres, também não conseguiriam comprar a rifa, uma vez que o valor real pedido era de 20 mil réis, em 1824, algo em torno de 120 mil reais, no dinheiro de hoje, 2022.

O jornal de quatro páginas é a terceira edição do periódico publicado pela gráfica do governo imperial, com o objetivo de falar da vida diária do imperador Dom Pedro, de política, comércio e registrar fugas de escravos, algo comum na imprensa daquela época.

Fica a dica: está sem grana para se casar? Rife-se! Como sempre há uma tampa para uma panela, não vai faltar doida (ou doido) que arrisque um “zóio”. Vai que dá!

sábado, 3 de dezembro de 2022

Essa eu já sabia

Sabe aquele jornal que nunca traz nada que você já não esteja sabendo? Assim também são aquelas pessoas que nunca lhe somam nada. Convivem com você, estão todo tempo ao seu lado, usam tudo o que você compartilha com elas, mas nunca retribuem. Ao contrário, quando abrem a boca é para dizer que nada sabem, espalhando no ambiente uma vastidão de nada. São os sugadores de energia que nos passam apenas a sensação de estarmos sozinhos, embora acompanhados.

Assim como o jornal que repete o que você já viu em outro lugar, as pessoas vazias são cheias repetições que nunca lhe fazem bem, mesmo que você não perceba. Os prejuízos são a perda de tempo e os aborrecimentos pelos minutos ou horas que lhe tomam com assuntos que em nada contribuem com o seu dia.

Todo mundo conhece alguém que, quando aparece, de longe já vem o pensamento: “era é só o que me faltava...”

E lá vem aquela pessoinha detestável desfilar um rosário de bla-bla-bla interminável. Elas parecem possuir um grude, uma cola, que gruda na gente, difícil de descolar. E lá vai a vassoura de ponta cabeça para trás da porta, mas nada da visita ir embora. Quando a abordagem é na rua, pior ainda. O relógio não anda, a hora não passa e a colegagem não dá sinal de falar tchau. E dê lhe histórias que você já conhece de cor e salteado, igual àquela porcaria de jornal que só publica coisas que você já viu na internet. Como diria a personagem de novela: Haja Deus!

Eu diria: Haja saco!

Mas, como tudo o que é ruim pode ser piorado, pior do que isso é se o chato (o chata) for você! Já pensou nisso?

Há pessoas que sabem que são chatas, porém, quando descobrem já não há mais como mudar. Alguns tipos de chatices não têm cura, por mais que se queira curar.

Nesses casos, só há uma saída: aceitar para doer menos. Assim, se esse for seu caso, aceite. E, como não dá para mudar, faça o contrário que é pra marcar território: tente o possível para ser cada vez mais chato. Já que nunca se lembram de você como uma pessoa legal, faça tudo para ser inesquecível como a chatice em pessoa. Talvez você ganhe o prêmio de chato (a) do ano!  Não seria legal?

Eu estou tentando, mas vou te contar: até pra chato é difícil ganhar alguma coisa.

Mas, lembre-se: mesmo ganhando um campeonato de chatice você nunca conseguirá ganhar da inutilidade daquele jornal que só publica o que você já sabia.

 

Clóvis de Almeida 2022 

domingo, 27 de novembro de 2022

Eu comigo mesmo


O que você tem feito de bom?
Está aí uma boa pergunta.
Sinceramente, não sei responder.
É que não sei o que é bom.
Bom para quem?
Talvez para quem receba a minha bondade.
Mas será que seria bondade?
O que de bom você faria que não fosse para
receber algo em troca?
Não sei.
Mas será que eu faço isso?
Claro que faz.
Mas, então não é bondade.
É uma troca.
Ora, troca de bondades.
Dou uma e recebo outra.
Mas isso é justo? Não é hipocrisia?
Acho que não. Troca justa.
Então, o que tem feito de bom?
Sabe que eu não sei. Depende do que é bom.
Bom para quem? Para mim ou para quem recebe?
Para os dois.
Acho mesmo é que preciso parar de conversar sozinho.

As pedras

No meio do caminho tinha uma pedra.
Drummond já falou isso.
Mas também disse que havia uma pedra no meio do caminho.
Interessante é que ele avisou que havia uma pedra.
O poeta escreveu que nunca esqueceria disso.
Claro, muito difícil esquecer uma pedra no caminho!
Eu também não esquecerei que no caminho havia uma pedra.
Pior: o caminho agora tem mais pedras que antes.
Há pedras no caminho, não as de Drummond, mas as minhas.

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Qualquer um é mais importante que um sabugo

 

Tentei pensar como seríamos sem os outros.
Não como se sozinho fôssemos no mundo.
Mas, sem a satisfação que damos até no pensar.
Nada fazemos sem imaginar o que dirão os outros.
Até para os pensamentos, imaginamos o juízo que farão.
Nada fazemos para apenas nós mesmos.
Tudo é feito para alguém dar nota, por mais
que fujamos dessa realidade.
Não nos vestimos para nosso juízo,
vestimo-nos para os gostos alheios, pois a moda
não nos pertence.
Até o penteado é ditado por quem nos vê, não
para nossos olhos ao espelho.
Não fazemos selfies para a intimidade.
Tiramos retratos para sermos vistos por alguém, para sermos admirados, por mais que a consciência não reconheça.
A foto que mostra o que realmente somos é deletada.
Ficam apenas as que mostram o outro de nós
que gostaríamos ser.
Não escrevemos para nos atirar pedras. Nos descrevemos
para ressaltar nossos orgulhos. Não demonstramos a unha
suja do pé, mas o sapato bem lustrado.
Não destacamos as contas atrasadas, mas as compras
que acabamos de fazer.
Não falamos dos tombos que levamos,
mas colocamos em evidências as vantagens
que inventamos.
Não escrevemos para fazer leitura amanhã. Colocamos
em letras o que imaginamos que os outros vão gostar.
Esse é o desafio da vida.
Pior se estivéssemos felizes com o que somos,
porque se assim fosse, não haveria prazer
em mentir para nós mesmos, imaginando
que todo mundo acredita.
Como bem disse Carl Turdey: “Qualquer um
é mais importante que um sabugo”.
Não sei quem é esse Carl, mas foi o nome mais legal
que me ocorreu para não assumir
uma frase idiota.
Clóvis de Almeida

domingo, 16 de outubro de 2022

Todo mundo é feliz no Facebook

 

Estou tão feliz! É mentira, mas no Face todo mundo é feliz, bonito, ganha bem, come carne, ri de tudo e não tem boletos. Esta é uma das frases de passatempo que escrevi no Facebook, cujo tema é bastante debatido por ser a rede social uma tela de tudo aquilo que muitas pessoas gostariam de ver de si próprias, mas que não refletem a realidade. É a eterna busca da felicidade, mesmo que seja de mentirinha.

Muita gente já escreveu sobre isso e não tenho a pretensão de filosofar no assunto, nem de ser inédito. Mas, vendo as notícias sobre a produção de vacinas contra o coronavírus, em 2020, fiquei imaginado o trabalho que os cientistas estavam tendo em conseguir algo que fosse realmente motivo de se orgulhar, não pelo ineditismo do ato ou do estrelato que pudesse gerar, mas pelo bem que poderia causar em toda a humanidade. Trabalhar e criar uma arma para destruir um inimigo tão terrível, como esse vírus do corona, é uma ação tão grande como quando o Superman ou o Batman salvam o mundo desviando um super meteorito que iria destruir a terra.

Como em toda e qualquer história da civilização, e não podia ser diferente, temos poucos heróis para tanta gente. Somos bem servidos de mentes inteligentes que trabalham inventando coisas, mas, como sempre, a maioria tem o pensamento voltado para o social, desenvolvendo meios de como fazer as pessoas se comunicarem, seja no âmbito pessoal para os simples relacionamentos, seja para as transações comerciais, onde se dar bem na arte de vender e ganhar dinheiro é o sonho da maioria. A cada minuto, surge alguém com uma “grande” proposta para ficar rico trabalhando pela internet. Poucos não se dão conta de que nada é tão simples e fácil como querem nos fazer crer.

Temos pouca gente desenvolvendo tecnologias que não levam ao brilho dos holofotes, como o dos engenheiros que estão desenvolvendo técnicas que captam energias do sol, do vento e das ondas do mar. O que fazem os cientistas em benefício de novas vacinas e remédios é muito pouco mostrado.

Talvez pela falta das luzes da ribalta é que faltam gente no combate ao câncer, à aids, ao coronavírus e ao que hoje chamamos de “simples gripe”. Basta dizer que ainda não existe cura para a herpes, fibromialgia ou vitiligo. A queda de cabelo é outro problema que deixam os carecas apenas com tratamentos caríssimos, que nem sempre dão certo.

Por outro lado, os aplicativos de relacionamentos pessoais estão cada vez mais sofisticados. O WhatsApp foi uma revolução, mas já está ameaçado por concorrentes, que dizem ser melhores, como Telegram, Viber, Hangouts, Kakao Talk, Groupme ou talvez outro nascido nas últimas 24 horas. Esse tipo de invenção surge com velocidades incríveis. Por isso, o homem se comunica melhor a cada dia, mas as soluções poderiam ser divididas por necessidade e não apenas pelo lucro imediato. Porém, não há como mudar isso enquanto o homem buscar aplausos em vez do orgulho de apenas fazer o bem.

(Texto para o Facebook 2020 - Por Clóvis de Almeida)

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

É preciso lavar as mãos depois de balançar

Corre pela internet mais um daqueles e-mails com curiosidades que não sabemos realmente se são úteis ou o contrário. Desta vez o alvo são as bolsas das mulheres, que, por serem postas em tantos lugares, como, chão de banheiro, carregam um potencial gigante de elementos infectantes e nocivos à saúde.

Não deixa de ser verdade, mas se partimos para preocupações tão detalhistas do nosso dia a dia, chegaremos à conclusão que o melhor é ficar em casa, dentro de uma redoma de vidro, sem nenhum contato com o mundo exterior.

Porém, alguns costumes no levam mesmo a pensar melhor. Tenho minhas dúvidas quanto ao número de pessoas que lavam as mãos depois do que fazem no banheiro. As mulheres têm a vantagem, se quiserem, de não precisar tocar no instrumento do “xixi”, depois de se aliviarem. É só esperar pingar tudo e vestir a roupa novamente. Se pinga tudo, não sei. Já o homem não consegue fugir da necessidade de pegar no pinto pra fazer o xixizinho.

Supondo que ambos, mulher e homem, tenham tido contato com o órgão urinário, precisam lavar as mãos. Caso não o façam, podem expor urina, bactérias e até vírus, ao tocarem outras pessoas.

Numa festa, por exemplo, é um entra sai de banheiros sem fim. Depois de vários goles, os homens só balançam o “pingolim” e voltam pra garrafa. Nessas balançadas, sempre uns respingos sobram para as mãos. Não é preciso dizer o que acontece em seguida.

Imagine o que ocorre numa comemoração de aniversário quando o aniversariante recebe cumprimentos de dezenas de pessoas. Num casamento, centenas de convidados pegam nas mãos dos noivos. Como saber quem lavou as mãos depois de tocar o “xixi”? Nesse troca-troca de mãos, milhares de seres microscópicos são repassados. O final dessa transação anti-higiênica é no jantar e no repartir do bolo. Não me lembro de ter visto noivos irem ao banheiro depois da igreja, mas já vi locais da festa sem pia para lavar as mãos. Só esfregar nas calças não adianta...

Quando cumprimentamos alguém na rua, no trabalho, numa confraternização, não temos como saber onde essa pessoa colocou as mãos. Num toque simplesmente cordial podemos ter contato com milhares de agentes nocivos, como a gripe, conjuntivite e outras doenças. Se não fosse verdade, não teríamos sido orientados a passar álcool nas mãos durante o medo coletivo da gripe suína, em 2009. Por pouco não chegamos a uma histeria naqueles dias. Há lugares públicos que até hoje mantém o frasco de álcool gel à disposição.

Riscos existem, mas não podemos fazer disso uma obsessão por higiene. Conheço pessoas que, bem antes da gripe do porco já tinham uma mania de limpeza quase doentia. Cumprimentam as pessoas com as pontas dos dedos e lavam as mãos com sabão assim que se vêem livre, independente da pessoa a quem cumprimentou. Chega a ser engraçado.

Há ainda a história de um político que leva um litro de álcool no carro para “desinfetar” as mãos depois de cumprimentar os eleitores durante a campanha eleitoral. Mas isso vou contar outro dia.

Temos então dois extremos; de um lado, os com mania de limpeza ou com medo de se contaminar, chegando até a serem portadores do transtorno obsessivo-compulsivo. Do outro, gente que não se preocupa em lavar as mãos nem para comer. Certo estão os japoneses, que não são muito dados ao cumprimento de mãos. O abaixar de cabeças é mais respeitoso, elegante e não contaminante. Devíamos aprender com eles.

No mundo digital somos todos piratas

As leis que protegem os direitos autorais são claras ao tornar infração ou até mesmo crime o uso não autorizado da criação alheia. Baseado nisso, fica evidente que o simples ato de escrever algumas linhas em um programa de computador cujo software não foi comprado e, que não seja de uso livre, nos torna infratores, piratas e, em alguns casos, criminosos. Talvez eu esteja exagerando na definição de um ato tão simples, como por exemplo, escrever no Word da Microsoft. Mas se é proibido usar sem autorização, é pirataria, infração ou crime!

Milhares de empresas utilizam os programas do Bill Gates sem pagar nada. São programas baixados pela internet, comprados no camelô da esquina ou cedidos por um amigo que também possui, de forma sorrateira, os famosos editores de imagem e áudio, como o Photoshop, Sound Forge, Adobe Premiere e tantos outros. Só no pacote do Office da Microsoft são nove programas de aplicações variadas. A série Windows é tão pirateada quanto os discos de músicas. Um estudo recente apontou que mais de 90% dos computadores no Brasil funcionam com Windows pirateado. Então, entre as pessoas que se utilizam de computadores, 90% são infratores ou usam de produtos pirateados sem saber.

Aquela foto baixada no Google e que ilustra ricamente o trabalho da faculdade ou do primeiro grau pode ser na verdade uma cópia ilegal. Mesmo estando disposta abertamente na rede mundial, talvez não disponha de autorização para uso, estando sujeita à reclamação de direitos por parte do autor.

A cada segundo alguém copia partes de textos ou uma obra inteira para apresentar como trabalho escolar, na maior cara de pau. Nem sempre o professor confere e o aluno ganha nota 10 nas costas de quem postou um suado serviço na internet.

Há variados cursos que ensinam como trabalhar com o Photoshop, Corel Draw, Excel, AutoCAD, Word e tantos outros programas profissionais fantásticos, no mundo da editoração eletrônica. Mas quantos desses alunos pagam pelo programa, comprando de um distribuidor autorizado? Para termos uma ideia, a licença mensal do Photoshop custa 90 reais. No entanto, são raras as pessoas ou empresas que pagam por esse que é o mais famoso dos editores de fotografia.

É raro também quem não tenha um disco ou pendrive “piratinha” da dupla ou banda preferidas ou games em casa, no porta luvas do carro ou no celular.

A Lei dos direitos autorais, no Artigo 104, afirma que “quem vender, expuser a venda, ocultar, adquirir, distribuir, tiver em depósito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com fraude, com a finalidade de vender, obter ganho, vantagem, proveito, lucro direto ou indireto, para si ou para outrem, será solidariamente responsável com o contrafator”. Portanto, quem baixa na internet ou usa, tem culpa, tanto quanto quem produz ou vende a pirataria.
Enquanto existir vistas grossas para a lojinha e o camelô que comercializam a pirataria, estaremos irresistivelmente condenados a praticar a infração ou crime contra os direitos autorais, mesmo como co-autores, cientes ou inocentes do ato. Mas pior do que isso: Estamos sujeitos à pirataria da forma mais doída, que é quando nos roubam, tirando de nós o fruto de nossa intelectualidade. O produto de um trabalho é como um filho e quando nos tiram, dói na essência, dói na alma. É parte de nós surrupiada sem dó.


De artistas a picaretas

1976

Nos meus tempos de menino, o caminho da volta da escola pela Avenida Tupãssi empoeirada tinha uma parada obrigatória todos os dias: A Farmácia Estrela do seo Ivo Müller e dona Dalva. Num dos cantos de entrada, uma vitrola daqueles tempos rodava sem parar um dos discos do humorista Barnabé. Decorei todas as suas piadas, que até hoje são repetidas por novos humoristas. Penso que o show de humor gratuito era uma estratégia para atrair a freguesia, que se juntava numa estreita faixa de calçada sem calçamento. Era terra mesmo. Os meninos se sentavam na soleira da porta do salão de madeira e todos riam com as trapalhadas do caipira que não nunca veio em Assis. Morreu cedo, em 1968, de ataque cardíaco, enquanto fazia show num circo. Um irmão dele deu sequência na carreira, mas não com a mesma graça e sucesso. Outros o imitaram, mas sem fazer rir como o original fazia. Um deles foi o chateaubriandense Agenor Barbosa, antes de adotar o nome artístico de Paulo de Paula, que fazia shows pela região  com o nome de Barnabézinho.

A Assis dos anos 60 e 70 era uma rota de artistas que se apresentavam no Oeste do Paraná. Por aqui, pernoitaram muitos nomes famosos nas pensões e hotéis simples de uma cidade que crescia sem parar, mas não tinha asfalto. A chuva e o barro seguravam os viajantes até por semanas. Muitos “medalhões” fizeram suas cantorias nos bares da cidade, de graça, tomando cachaça, enquanto a chuva caia. A zona do baixo meretrício, conhecida Casa das Primas, também era ponto dos artistas. Nem sempre para cantar. O antigo Bar Tupãssi e muitos outros foram palcos de Brasão e Brasãozinho, Liu e Léo, Tião carreiro e Pardinho, Pedro Bento e Zé da Estrada, Belmonte e Amaraí, Mococa e Moraci, Léo Canhoto e Robertinho, Milionário e Zé Rico e, até Teodoro, ainda sem o Sampaio.

Léo Canhoto e Robertinho fizeram um show em um circo armado no local onde hoje está a torre da Telepar. Ficou gente pra fora, tamanho o público que foi assistir à peça teatral da música “Jack, o matador”.

Tonico e Tinoco se apresentaram em outro circo, também no centro da cidade. Depois vieram em 1972, para a campanha política do Almério, num show para milhares de pessoas, que ficou na história de muita gente.

Boa parte das dezenas de artistas que passavam por “essas bandas” não tinha fama e nem era artista de verdade. A maioria fazia parte da turma de picaretas que rodava o Brasil fazendo show de rua ou dando calotes no comércio. A cada 15 dias tinha um “homem da cobra” vendendo remédios homeopáticos em praça pública. Com um microfone sujo e ensebado de cuspe, pendurado no pescoço, reunia gente chamando por um alto falante jogado no chão. Enquanto demonstrava um produto num vidro, prometendo “curar tudo”, batia com uma vareta numa caixa, dizendo que ali havia uma cobra sucuri de 10 metros, um peixe elétrico ou um jacaré do pantanal. A multidão curiosa esperava até o fim para ver a surpresa, enquanto um ou outro comprava o remedinho com cheiro de hortelã, que não prestava pra nada. Quando o público começava a esvaziar plateia, o homem que dizia ser representante de laboratórios tirava um lagarto da mala e garantia que era um legítimo filhote de crocodilo da Amazônia. Quando muito, mostrava um peixe elétrico que acendia uma lampadazinha na ponta de dois fios que ele encostava no pobre bichinho. E a plateia adorava aquilo. Coitado do peixe!

As rádios do interior sofreram muito com os picaretas do microfone que passaram por nossa história. Vinham de longe e ficavam alguns meses, tempo suficiente para comprar fiado no comércio e sumir do mapa para sempre. Anoiteciam e não amanheciam, deixando um rastro de contas a pagar, de boteco à loja de móveis, passando pelo hotel e a mercearia que ficavam a ver navios.

O primeiro exemplo foi o próprio gerente que inaugurou a rádio Jornal, em 1978. Um tal de Lima veio de Brasília, a Capital, e levou embora uma Brasília novinha, o carro. Carregou ainda na mudança a mobília toda de uma casa montada, comprada no crediário e garantido pelos donos da rádio, que, além de perderem o automóvel do ano, tiveram que pagar as lojas, o mercado e o aluguel do malandro que anoiteceu e não amanheceu.

Tem ainda a passagem de um conhecido locutor vozeirão, bom de microfone pra caramba, que se associou a outro picareta local, metido a cantor. Ambos “bolaram” um festival de calouros e no dia do show fugiram com a grana dos ingressos, assim que o salão paroquial lotou de gente.

Outro, muito bom noticiarista, veio de longe pra aplicar o velho golpe da pomadinha. Num vidrinho de remédio injetável, que recolhia no lixo de farmácias, ele colocava vaselina líquida e vendia a idosos como excitante sexual. Ele abordava os velhinhos (e alguns jovens), dizendo que o era só passar o remedinho no bilau e viver horas de prazer com o moral “alto”. Dezenas de trouxas acreditavam e o malandro vendi vaselina que nem água no deserto. Afinal, era um locutor da rádio que estava vendendo, palavra que tinha crédito. Pior é que ouvi depoimentos de que o negócio funcionava mesmo. E não adiantava dizer à vítima que o efeito era só psicológico.

Em fim de ano chovia locutor de tudo o que era canto vendendo mensagens de Natal. Os caras já traziam os textos prontos, gravados em um rolinho de fita de rolo, que só rodava na rádio e numa fitinha K7 para mostrar aos lojistas. Era difícil uma vítima que não comprava.

Quem pensa que os picaretas acabaram, engana-se. Mas isso é história pra outro dia.